30 de novembro de 2016

Diário de um porão

30 de novembro de 2016
O texto a seguir é baseado em um relato real.
Para segurança e proteção dos envolvidos, nomes foram trocados, assim como a localização dos mesmos.
  O Furacão Sindie devastou o estado de Hoai, Nova Filhidan, em setembro de 1957. 
O furacão pegou o Estado de Nova Filhidan desprevenido. Muitos cidadãos não tiveram recursos suficientes para resistir ao desastre.
Grupos de sobreviventes foram encontrados em porões, cisternas e poços por todo estado. Em um desses porões foi encontrado um diário com poucas páginas legíveis sobre este desastre.
Quinta-feira, 13 de setembro de 1957

 Depois do jantar, papai e mamãe estavam conversando com minha irmã, Eshiley, lá na cozinha. Provavelmente algo sobre o novo namorado dela, um rapaz muito estranho. Eu estava no meu quarto brincando com meu foguete.
De repente, papai me chama e diz para eu pegar roupas e alguns brinquedos para levar pro porão.
Mamãe disse que o vento estava muito forte lá fora.
  Eshiley falou que o rádio falou algo de um sinal vermelho, não entendi muito bem. Fui até meu quarto e peguei algumas roupas. Deixei as roupas na sala e fui para a cozinha ajudar meus pais com a comida.
  Todos estavam com bastante pressa. Acho que estão com medo do vento lá de fora.

 Sexta-feira, 14 de setembro de 1957

  Hoje, às 05:30 da manhã, meu pai acordou todos nós e falou para descermos pro porão. Meio que dormindo ainda, fui para lá. Acho que mamãe já tinha acendido a luz, porque minha irmã correu apavorada escadas a baixo sem tropeçar. Logo em seguida eu entrei.
   Mamãe e papai entraram por último. Papai fechou a porta com correntes e cadeados.
Não entendi bem o porque disso tudo.
Estranhamente está ventando um pouco aqui em baixo. Estranho porque não tem janelas aqui.

Sábado, 15 de setembro de 1957

 Finalmente descobri o que estava acontecendo. Um furacão está passando por aqui. Que medo!
Mas ao mesmo tempo, eu queria ir lá fora ver.
Mamãe disse que ele passou ontem por aqui.
Isso explica o porque de ventar aqui em baixo.
Papai falou que não vamos poder sair agora. Caiu muita coisa em cima da porta do porão.
  Eshiley está dormindo ainda. Ela deve fazer isso para não pensar na situação meio difícil que estamos.
  Ainda bem que eu trouxe alguns brinquedos. Aqui é muito quieto e as vezes fica sem energia por alguns minutos.

Quarta-feira, 19 de setembro de 1957

 Ai ai... Papai ainda não conseguiu abrir a porta.Mamãe esta cansada demais para ajudar meu pai.
 Eshiley e eu tentamos fazer algo, mas é muito pesado.
 Estamos economizando a comida, porque mamãe disse que não sabe quando vamos sair daqui.
 Ainda tem bastante água. E a luz pisca muito de dia.
Segunda-feira, 24 de setembro de 1957

 Estou com fome!
 Mamãe está preparando a janta. Papai ainda nao conseguiu abrir a porta, tem muita coisa em cima da porta.
 Eshiley tem dormido muito essa semana.
 E eu também ando muito sonolento, acho que pode ser o pouco ar. Não sei bem.

Sábado, 29 de setembro de 1957.

 Não consigo mais ficar em pé. Mamãe disse que é a falta de ar.
 A comida acabou ontem e eu estou com muita fome.
 Estou bebendo muita agua para ver se ajuda, mas não ajuda.
Eshiley praticamente só dorme.
 Mamãe e papai não estão aguentando mais puxar e empurrar a porta. Ela não se mexe.
Não sabemos mais o que fazer.

Domingo, 30 de setembro de 1957.

 São cinco horas da tarde e eu estou ouvindo gente gritando lá fora. Papai disse que é o resgate.
 Mamãe, papai e Eshiley estão revezando nos gritos para os bombeiros nos localizarem. Eu não consigo gritar mais. Não consigo nem levantar da cama mais. Sono, sono e mais sono é o que estou sentindo.

31 de setembro de 1957.

 Já são duas da manha e os bombeiros ainda não conseguiram chegar aqui.
Mamãe disse para todos ficarem acordados.
Papai ainda grita para saberem onde estamos.
Não sei se consigo ficar muito tempo acordado.
Estou com muita fome e sono. Não comemos a dias.
 Eu sinto saudades da minha cama, dos meus amigos, do jantar, e do ma...





 Este diário foi encontrado no colo de um menino de 10 anos. Ele, juntamente com seus pais e sua irmã, foi encontrado em um porão de uma casa devastada pelo Furacão Sindie.
As crianças estavam desmaiadas de fome. Os adultos estavam exaustos de tanto esforço para sair daquele lugar, onde ficaram presos por tanto tempo.

Autor: Maicon Andrade da Costa.
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Plágio é crime.